GESTÃO ADMINISTRATIVA 1 - Eclesiastica
ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA
Administração eclesiástica é o conjunto de atividades desempenhadas para garantir o mantimento e crescimento da comunidade cristã ou igreja.
Tem como objetivo desenvolver as atividades da melhor forma possível, com planejamento, organização e de forma ordenada a fim de dar resultado para a igreja.
Para complementar o assunto, Câmara e Kessler (2010, p. 13) afirmam:
“Administração Eclesiástica é o estudo dos diversos assuntos ligados ao trabalho do pastor no que tange à sua função de líder ou administrador principal da igreja a que serve. Lembremo-nos de que a igreja é, simultaneamente, organismo e organização. É o povo de Deus organizado num tríplice aspecto: espiritual, social e econômico, para atender à missão para qual Deus a constituiu”.
A Administração Eclesiástica é uma temática pouco explorada no meio da administração. O fato de não ser um trabalho observado de perto pelos estudiosos que não professam a fé, consequentemente cria-se o paradigma de que administrar a igreja e pastoreá-la é apenas ensinar a bíblia, orar e aconselhar as pessoas. Tais procedimentos de fato existem, mas é apenas uma parte desta gestão.
Administrar uma igreja está muito além dessas atribuições. Exige planejamento, organização, delegação de funções, controle e monitoramento das atribuições desempenhadas, controle da alocação de recursos e muitos outros princípios que administradores sequer suspeitam que são atividades desempenhadas nas igrejas por não acompanharem de perto e perceber a complexidade exigida no gerenciamento
Segundo Câmara e Kessler (2012, p. iii), “Pastorear é muito mais que presidir. É administrar com eficiência os negócios do Reino de Deus”.
Por outro lado, muitos integrantes da comunidade cristã praticam tais princípios e sequer sabe que pertencem a um conjunto de atividades denominado administração.
Este estudo pretende minimizar a distância entre a administração eclesiástica e a sua fonte administração, pontuando características da gestão a fim de contribuir para orientação e organização das igrejas.
Objetivos e Metas da Igreja
A igreja, assim como qualquer organização, tem seus objetivos e metas estabelecidos e preocupa-se com os fins (aquilo que precisa ser feito, relacionado à missão, o essencial, o foco, o primordial) e com os meios (como deve ser feito e o que suporta a atividade fim).
Nesse aspecto podemos identificar na igreja suas atividades fim e meio:
Atividade fim: Ensino da palavra para edificação da igreja, adoração a Deus e evangelismo.
Atividade meio: Todas as responsabilidades de cada departamento para garantir que tenham condições de realizar a atividade fim.
Podemos citar alguns exemplos:
Instrutor da palavra, recursos para garantir o bem estar de todos durante os cultos (luz, água, papel higiênico, sabonete, etc.), ministros de louvor, instrumentistas, entre outros.
Todas
essas atividades acontecem visando atingir a grande missão da igreja que se
resume em três palavras: Adorar, Anunciar e Discipular.
a) Adorar: Render louvores a Deus, adorá-lo, glorificá-lo. “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”. (BÍBLIA, Apocalipse, cap. 4 vers. 11).
b) Anunciar: Evangelizar, propagar o evangelho do Reino de Deus para todos. “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. (BÍBLIA, Mateus, cap. 28 vers. 19).
c) Discipular: Fazer discípulos, ensinar, aperfeiçoar, fortalecer, preservar os frutos que foram ganhos. “Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!”. (BÍBLIA, Mateus, cap. 28 vers. 20).
Administração Segundo a Bíblia
Quando analisamos as escrituras, podemos observar que princípios da administração são tão antigos quanto à humanidade.
Desde o início, percebe-se a formação dos primeiros grupos sociais devido à necessidade de se organizarem, com o objetivo de produzirem em um regime de subsistência. Ao longo de toda a bíblia podemos observar relatos de aplicação da administração.
Podemos citar exemplos antes e após o nascimento de Cristo:
a) Organização e controle na criação dos céus e da terra:
No primeiro capítulo da bíblia, é narrada a criação dos céus e da terra e tudo o que neles há.
Ao analisarmos as escrituras, percebe-se a organização de Deus na criação de cada um dos componentes.
Deus
poderia ter criado tudo de uma só vez, mas trabalhou com planejamento e organização.
Cada dia teve um objetivo específico a fim de concretizar a grande meta que era a formação de tudo.
Também é importante observarmos o controle e monitoramento, ao término de cada dia Deus observava o que havia feito e se havia alcançado seu objetivo. “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto”. (BÍBLIA, Gênesis, cap.1 vers. 31).
b) Delegação de autoridade por Moisés: No livro de êxodo é narrada uma situação vivida por Moisés, na qual ele se via cercado por uma multidão e tinha de aconselhá-la, porém eram tantas pessoas que precisavam esperar desde o nascer ao pôr do sol uma por uma para ser atendida.
Jetro, sogro de Moisés, ao perceber esta situação aconselha Moisés a delegar autoridades para que ele não seja sobrecarregado com funções.
“Então Jetro disse: – O que você está fazendo não está certo: Desse jeito você vai ficar cansado demais, e o povo também. [...] Você deve ensinar-lhes as leis de Deus e explicar o que devem fazer e como devem viver. Mas você deve escolher alguns homens capazes e colocá-los como chefes do povo: chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez. Devem ser homens que temam a Deus, que mereçam confiança e que sejam honestos em tudo. Serão eles que sempre julgarão as questões do povo. Os casos mais difíceis serão trazidos a você, mas os mais fáceis eles mesmos poderão resolver. Assim será melhor para você, pois eles o ajudarão nesse trabalho pesado. Se você fizer isso, e se for essa a ordem de Deus, você não ficará cansado, e todas essas pessoas poderão ir para casa com as suas questões resolvidas”. (BÍBLIA, Êxodo, cap. 18 vers. 17-23).
Nesses
versículos, é notória a delegação de autoridade com atribuição de cargos e
descrição de funções. Percebe-se também a implementação de um trabalho que visa
tanto eficiência como eficácia. De acordo com Chiavenato, (2004, p. 183):
“Eficiência
significa fazer corretamente as coisas e enfatizar os meios pelos quais elas
são executadas. Relaciona-se com os meios, isto é, com os métodos utilizados.
Eficácia é a capacidade de atingir objetivos e alcançar resultados. [...]
Relaciona-se com os fins almejados”. (CHIAVENATO, 2004,
p. 183).
Entende-se
que Eficiência é o melhor meio para alcançar um resultado e Eficácia é o melhor
resultado.
c) Planejamento financeiro para edificar uma torre:
No evangelho de Lucas, o próprio Senhor Jesus em um de seus ensinamentos discorre sobre as consequências da falta de recursos financeiros no momento da edificação de uma torre.
“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar”. (BÍBLIA, Lucas, cap. 14 vers. 28-30).
Neste trecho da bíblia é ilustrada a situação de um homem que começou a construir uma torre, mas devido à falta de planejamento financeiro não teve recursos suficientes para terminar a construção.
Estes são alguns dos exemplos de práticas administrativas que são relatados ao longo da bíblia, e muitos outros casos poderiam ser abordados como:
A administração
do ministério do tabernáculo (BÍBLIA, Números, cap.16 vers.9),
A administração
de José quando foi posto sobre a casa de Potifar e governava tudo quanto ele
tinha (BÍBLIA, Gênesis, cap. 39 vers. 4-6), e posteriormente José foi posto
sobre a casa de Faraó e tornou-se governador de todo o Egito (BÍBLIA, Gênesis,
cap. 41 vers. 37-41),
A
construção e organização do primeiro templo por Salomão (BÍBLIA, 2º Crônicas,
cap. 3),
Delegação
e organização na comissão e envio dos setenta discípulos (BÍBLIA, Lucas, cap.10
vers.1),
O mordomo fiel (BÍBLIA, Lucas, cap.12 vers.42).
Em alguns casos, a bíblia é até mais específica com relação aos termos administração eclesiástica /administrador eclesiástico, podendo empregá-los de várias formas, conforme citaçõe abaixo:
Exemplos de Termos Para Administração Eclesiástica/ Administrador Eclesiástico na Bíblia.
Romanos, cap.12 vers.8 “ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria”.
1ª Coríntios, cap.4 vers.1-2 “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel”.
Tito, cap.1 vers.7 “Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância”.
1ª Pedro, cap.4 vers.11 “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém!”
Embora a administração eclesiástica seja inspirada na bíblia, não impede que princípios administrativos possam ser adotados para que o trabalho desenvolvido ocorra com ordem e organização.
Planejamento
De acordo com o dicionário Aurélio online, planejar significa: Traçar; fazer o plano, projetar, programar, planificar, planear.
Logo, planejar é algo que está presente no cotidiano, quando programamos qualquer atividade, seja uma viagem ou um almoço, e demais atividades.
No entanto, esse planejamento se caracteriza como informal. A igreja apresenta muitas funções e atividades, logo é crucial a existência de um planejamento detalhado, um planejamento que seja observado com frequência, algo formal.
Planejamento pode ser entendido como “colocar no papel” aquilo que se pretende fazer em um futuro não necessariamente distante.
Significa determinar os objetivos ou metas da organização, estabelecendo estratégias para atingir essas metas integrando e coordenando atividades.
Chiavenato (2005, p. 194) afirma que: “Planejar é o processo de estabelecer objetivos e determinar o que deve ser feito para alcançá-los. Planejamento é o processo de estabelecer objetivos e cursos de ação antes de tomar a ação.”
Na igreja, assim como em outras organizações, é importante ter objetivos e metas bem definidos para que seja factível reunir esforços para alcançá-los.
Planejamento Estratégico: Chiavenato (2005, p. 202-203) afirma que:
“O planejamento estratégico é um processo organizacional compreensivo de adaptação através da aprovação, tomada de decisão e avaliação. Procura responder a questões básicas como: por que a organização existe, o que ela faz e como faz. O resultado do processo é um plano que serve para guiar a ação organizacional por um prazo de três a cinco anos”.
Envolve a organização de forma holística estabelecendo objetivos globais e serve como alicerce para os planos táticos. Abrange uma estrutura de tempo em longo prazo e proporciona direção para estimular os esforços da organização para atingir suas metas.
A igreja trabalha no longo prazo em seu planejamento tendo em vista que ela é uma organização que precisa se planejar, onde quer chegar, fazer uma montagem de cenário futuro evidenciando todos os princípios da administração.
Deve buscar evidenciar a sua missão, visão e objetivos de longo prazo. Onde ela se encontra e para onde quer ir, identificando as etapas e processos necessários para atingir as metas estabelecidas.
Planejamento Tático Chiavenato (2005) afirma que enquanto o planejamento estratégico abrange a organização holisticamente, o planejamento tático abrange apenas uma determinada unidade da organização que pode ser um departamento ou divisão.
O planejamento tático abrange uma estrutura de tempo em médio prazo, geralmente um ano de exercício.
Na realidade, o planejamento estratégico é desenrolado em vários planejamentos táticos, enquanto estes se desenrolam em vários operacionais.
Entende-se que planejamento tático é um plano que assinala os detalhes de como os objetivos globais da organização serão alcançados, destina-se a departamentos específicos da organização e devem ser atualizados continuamente para conseguir vencer os desafios atuais.
As igrejas têm vários departamentos como secretaria, louvor, evangelismo, ensino, assistência social, entre outros. E todos têm uma equipe de trabalho e um líder que administra esta equipe e deve se preparar e evidenciar o que será feito, nos moldes de uma organização.
Planejamento operacional Chiavenato (2005, p. 207) aponta que:
“O planejamento operacional é focalizado para o curto prazo e abrange cada uma das tarefas ou operações individualmente. Preocupa-se com o “o que fazer” e com o “como fazer” as atividades quotidianas da organização. Refere-se às tarefas realizadas no nível operacional”.
O planejamento operacional atenta para desenvolver os objetivos do planejamento tático, está relacionado às tarefas realizadas no dia-a-dia.
Os integrantes de cada equipe trabalham em prol de atingir o objetivo da equipe, tendo cada um suas funções delimitadas no dia-a-dia
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