Pedagogia Cristã 2 - História

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

DA EDUCAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

Deuteronômio 6:4-9 :

[4] Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.

[5] Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda atua força.

[6] Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;

[7] tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

[8] Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos.

[9] E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

Podemos observar que em primeiro lugar a Bíblia nos diz para reconhecermos Deus como o único Senhor, e adorá-lo com todas as forças do espírito, alma (mente) e corpo. Como uma atitude seguinte segue-se a obediência a este Senhor, guardando a Sua Palavra em nosso coração (v.6). Estas "palavras que hoje te ordeno" que nos versículos anteriores incluíam os dez mandamentos, e a aliança de Deus com o homem, deveram primeiramente estar dentro dos corações dos pais, para que então pudessem ser ministradas aos filhos. Não se pode dar algo que não se tenha recebido primeiro, e tudo que é bom vem do Pai da luzes. Estas palavras deveriam ser inculcadas aos filhos, assentado em casa, andando, deitando, levantando. Inculcar nos dicionários da língua portuguesa significa repetir muitas vezes para imprimir no espírito (Aurélio, Michaelis). A palavra hebraica traduzida aqui por inculcar (ou ensinar, intimar) é LAMAD, e é uma palavra de grande abrangência, e representa muito bem o processo de ensino e aprendizagem que Deus estabeleceu para os país e filhos.

 

Lamad, traduzida por inculcar, pode ser definida como:

 

1. "Cortar" a mente; é a ideia de uma navalha afiada formando um canal (sulco) na mente e produzindo por meio desta incisão um padrão de pensamento.

2. Formar um estilo de vida, ou uma maneira de viver.

Temos aqui, portanto dois aspectos: o aspecto interno, relacionado com o ensinar, que é o "cortar", marcar, criar um caminho que produz padrões e estruturas de pensamento, e o aspecto externo, a consequência disto, que nos fala da aprendizagem, que é um estilo de vida, ou uma maneira de viver.

A EDUCAÇÃO CRISTÃ NO NOVO TESTAMENTO

A maneira como o movimento cristão foi apresentado pelo próprio Senhor Jesus refere-se a uma forma de vida e de prática eminentemente educativa. Não se trata de uma nova forma de culto, não é, de forma alguma, uma orientação sobre rituais religiosos. Todo o tempo, Jesus fala sobre um estilo de vida transformado e transformador, que deve ser vivido e ensinado. (Mateus 5.17 e 19).

Na igreja primitiva, a pregação do Evangelho era seguida por um ensino constante, conforme relatos dos Atos dos Apóstolos e das cartas pastorais. Em Atos 11, lê-se que a conversão de um grande número de gregos na cidade de Antioquia exige providencias e a igreja de Jerusalém envia Barnabé para ensinar os novos conversos. Barnabé, por sua vez, percebe as dificuldades envolvidas em grandiosa tarefa e vai a Tarso buscar reforço, trazendo Paulo para auxiliá-lo. Paulo permanece em Antioquia durante um ano, ensinando uma numerosa multidão.

A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA IDADE DAS TREVAS

Quando o Cristianismo deixou de ser um movimento subversivo e marginalizado dentro do Império Romano, passando ao status de religião oficial, as bases da fé e da vida cristã foram gradativamente sendo abandonadas.

A educação que anteriormente era considerada de extrema relevância dentro das comunidades cristãs, passou a ser percebida como perigosa para os interesses políticos e eclesiásticos. Os textos sagrados foram proibidos. Grande parte do próprio clero nem sequer sabia ler (conf. GUILES, 1987). As Escrituras Sagradas não podiam ser traduzidas para a língua do povo porque cabia à alta hierarquia clerical a interpretação da mesma.  

A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA REFORMA PROTESTANTE

A Reforma Protestante do século XVI tem como marco inicial a publicação das 95 teses de Martinho Lutero, escritas num simples pedaço de papel e pregadas na porta da Igreja de Wittemberg, na Alemanha, no dia 31 de outubro de 1517. Com esta atitude, Lutero apenas desejava chamar a atenção do clero, do Imperador e das autoridades em geral para os abusos crescentes e demonstrar que não havia sustentação bíblica para inúmeras práticas realizadas, supostamente, em nome de Deus, de Jesus e dos apóstolos. Rapidamente as teses de Lutero foram traduzidas por seus seguidores e tornaram-se um dos documentos mais lidos na história do mundo ocidental Entretanto, Lutero percebeu que a educação do povo não interessava àqueles que pretendiam manter o povo distante das luzes esclarecedores, oriundas da Palavra de Deus. 

Martinho Lutero mobilizou grandes multidões de pessoas simples e também da nobreza e da burguesia emergente. Príncipes, teólogos e educadores mobilizaram esforços no sentido de fazer prosperar os ideais de um cristianismo reformado.

Assim, é a Reforma Protestante e não o iluminismo que rompe com a dominação imposta pela ignorância. É a Reforma quem primeiro advoga a necessidade urgente de investir na educação de todos como a única forma de conduzir o povo ao conhecimento do Evangelho e livrá-lo da dominação de um pseudo-cristianismo dissociado dos ensinos de Cristo e dos apóstolos.

A EDUCAÇÃO CRISTÃ NA MODERNIDADE

Vejamos alguns desafios que a igreja deve superar no processo de ensino da Palavra de Deus nos dias atuais:

A. Rejeição dos Relatos Miraculosos. Os relatos bíblicos envolvendo a atuação miraculosa de Deus como a criação do mundo, os milagres de Moisés, etc, passaram a ser desacreditados e frequentemente explicado como naturais. Já que milagres não existem, segue-se que foram fabricações do povo de Israel e depois da Igreja, que atribuem a eventos sobrenaturais coisas que nunca aconteceram historicamente.

B. A Pluralidade da Verdade - O pensamento pós-moderno rejeita o conceito da modernidade de que existam verdades absolutas e fixas. Toda verdade é relativa e depende do contexto social e cultural onde as pessoas vivem. Isso inclui verdades religiosas.

C. A Defesa do Inclusivismo - O pós-modernismo busca uma sociedade pluralista, onde haja convivência amigável entre visões diferentes e opostas. Isso é pluralismo inclusivista.  Espera-se que as opiniões cedam umas às outras, particularmente aos pontos-de-vista marginalizados que foram calados por gerações pelas vozes dominantes da sociedade. É o caso do ponto-de-vista feminista, dos homossexuais, das minorias| das culturas desprezadas. Isso abriu o campo para as hermenêuticas das minorias, como a hermenêutica feminista, a hermenêutica da raça negra e a hermenêutica homossexual.  

D. O Conceito do "Politicamente Correto" - Nessa sociedade pluralista e inclusivista, a opinião e as convicções têm de ser respeitadas — algo com que o cristão bíblico, a princípio concordaria. Mas, para os pluralistas, a razão para esse "respeito' é que a opinião de um é tão verdadeira quanto a opinião do outro

Facilitador: Professor Pr. Ozéas Dias Gomes

Email: ozeasdiasgomes25@gamil.com

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